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"Posicionamento" para professoras de língua

  • Foto do escritor: marina.grilli.s
    marina.grilli.s
  • 23 de jul. de 2025
  • 7 min de leitura

Atualizado: 18 de set. de 2025

Se você tem um perfil profissional no Instagram para divulgar as suas aulas particulares, certamente já se deparou com um certo tipo de anúncio daquilo que eu chamo de marketing disfarçado de Educação:


cursos e serviços para professoras que prometem ensinar como valorizar o seu trabalho, mas que são apenas copia-e-cola de qualquer curso de marketing genérico para profissionais autônomos.


E já que você não tem a menor pretensão de cair nesse papinho raso, jogando o seu suado dinheiro no lixo com "estratégias" de empreendedorismo de palco, aqui eu vou resumir em cinco tópicos tudo que você precisa saber sobre posicionamento para professoras de língua na internet. Sem te cobrar por isso.



Sorry. A sua história não é tão interessante assim
Sorry. A sua história não é tão interessante assim

1. Não basta "contar a sua história".


A primeira lição de posicionamento que se vê por aí é "conte a sua história". Porque, supostamente, isso vai fazer com que alunes em potencial se identifiquem com você e queiram aprender com você. Isso pode dar certo - até a página 2.


Não é porque alguém tem os mesmos gostos que você, que essa pessoa vai te dar uma chance como professora particular.


Primeiro, porque você não quer alunas ingênuas que buscam na professora uma simples amiguinha, ou preguiçosas que pensam que aula de língua é bater papo sobre temas confortáveis - isso nós já discutimos aqui.


Segundo, porque pessoas são complexas. Quem se identifica com a sua história também vai se identificar, mais cedo ou mais tarde, com a história de outra professora. Aí, sabe o que acontece? Você acaba competindo por preço.


E quem compete por preço, é porque não tem diferencial algum.


Isso nos leva ao ponto 2.



A gente gosta, sim
A gente gosta, sim

2. O preço não precisa ser um diferencial.


Os gurus de marketing querem te convencerdo seguinte: "defina seu preço e mantenha-se firme nele, que o sucesso virá". Mentira!


Não é fácil cobrar o quanto quiser e ver choverem alunos nas suas mensagens. Até porque existem limites do quanto o seu aluno ideal pode pagar.


Você pode escolher trabalhar apenas com os mais endinheirados? Claro que pode. Porém, vai ficar difícil se manter desse jeito. Não só porque a qualidade da entrega tem que ser muito superior a tudo que esses alunos podem pagar, mas também a sua imagem e equipamentos precisam acompanhar o preço que você cobra: câmera melhor, isolamento acústico, iluminação uniforme, roupas e cabelo de alto padrão.


Fora o trabalho de criar conteúdo para atrair especificamente essas pessoas. Você vai precisar estudar sobre as dores, os desejos, o comportamento do público de alta renda. É, prof. Marketing é uma área complexa de estudo e trabalho. Será que você realmente deseja se aprofundar nela?


Se a resposta é não, não se preocupe: para ser percebida como a professora que ensina Além da Língua, você não tem que triplicar o valor da sua hora-aula. Muito menos viver ostentando uma vida de viagens e hobbies diários. Acredite: quem faz isso pode até estar faturando bem, mas gasta tudo pra manter "o posicionamento", ou melhor, as aparências.


Retomando o ponto 1... quem quebra não fica pra contar a própria história. Vamos aprofundar essa parte.



Você sabe com quem está falando?
Você sabe com quem está falando?

3. Nada de ser boazinha


A sua história de vida molda os seus valores e é moldada por eles, na medida em que é a sua interpretação da realidade que define a sua história.


Faz sentido? Então vamos pensar melhor no que significa isso de contar a própria história.


Para que a sua história seja um diferencial, você precisa saber para quem está comunicando esse diferencial. Esse é mais um dos tópicos que o povo do marketing disfarçado de Educação adora cobrar R$997 para te ensinar: como definir o seu público.


Basicamente, você precisa determinar se tem um gênero e faixa etária que prefere ensinar, e qual é.


Também precisa definir algumas premissas sobre essas pessoas: são fãs de filmes de fantasia? Mães de adolescentes? Professores de educação física? Pessoas LGBT ou não-brancas? Já viajaram o mundo todo? Gostam de cozinhar? Para as professoras mais corajosas, posicionamento político e até religioso entram na equação também.


É aí que a gente encaixa o fator financeiro: você precisa escolher, dentro do seu público ideal, o nicho que tem mais dinheiro. A mulher negra que trabalha em multinacional, a mãe do adolescente que está se preparando para um intercâmbio, e assim por diante. Doeu? Calma, que eu explico.


Não se esqueça, prof: você trabalha por dinheiro. Não adianta direcionar a sua comunicação a quem não tem dinheiro. Imagina um supermercado que fizesse anúncios voltados para a população em situação de rua? Não ia rolar, né?


É claro que você pode oferecer algumas aulas por valores sociais - mas não faça do seu perfil profissional um portal de divulgação de caridade. Para isso, você pode deixar um discreto formulário de inscrição para bolsas no link da bio, oferecer aulões gratuitos periodicamente, ou até mesmo criar outro perfil voltado para o público de baixa renda. Porém, mas sempre focando a maior parte dos seus esforços no que dá dinheiro.


Também existe a opção de ser voluntária em outra área que não o ensino de língua, não se esqueça disso. O ponto é: deixar de buscar uma vida confortável vivendo do seu trabalho não é ajudar os outros, é prejudicar a si mesma.


Além disso, mantenha em mente que, tão importante quanto (ou mais do que) atrair as pessoas certas, é expulsar as pessoas erradas. Posicionamento de verdade é isso: não ter medo de desagradar quem não está de acordo com os seus valores.


Porque ninguém merece aquele aluno com quem você se sente pisando em ovos ao conversar, para não demonstrar as suas crenças, não ofender as dele, não se sentir "doutrinando", não causar constrangimentos... que horror! Educação é e deve ser prática social crítica. Escolha alunos capazes de construir esse ambiente junto com você.


Daqui a pouco a gente volta nessa questão dos valores. Agora, vamos pensar de forma prática no que postar.



Nem tudo é conteúdo
Nem tudo é conteúdo

4. Não precisa compartilhar a sua vida pessoal. Ou precisa?


Você já sabe que não tem obrigação nenhuma de virar influencer. Mas tem um questionamento mais profundo nisso aí: a sua aluna ideal quer ficar acompanhando a sua vida de perto? Ela é uma pessoa com muito tempo livre, viciada em redes sociais, e com profundo interesse em particularidades da rotina de uma professora?


Muito provavelmente não, certo? Até porque, grande parte das vezes, a seguidora mais curiosa é aquela que não vai virar aluna, pois está ali buscando apenas entretenimento.


Liberte-se! Não pense que passar o dia com os olhos grudados no celular vai te tornar uma professora melhor e mais requisitada, ok? Por outro lado, o seu perfil não pode parecer uma vitrine de loja, repetindo só o discurso "horários vagos", "nova turma", "agende agora mesmo".


Achar esse ponto de equilíbrio é um dos principais desafios de empreender no meio digital, na minha humilde opinião. Em resumo, o que você precisa fazer é compartilhar aquilo que reflete os valores da sua marca, ou seja, da identidade comunicativa que você criou para dialogar com o público ideal.


Vamos a um exemplo prático: se você quer ensinar adolescentes, pode postar imagens da sua rotina ouvindo música ou praticando esportes, e conteúdo aprofundado comentando séries do momento ou a rotina de estudante. Jamais algo relativo ao consumo de bebida alcoólica ou qualquer outra droga, lícita ou ilícita.


Se você prefere atrair alunos apaixonados por literatura ou acadêmicos, talvez a sua rotina na academia possa ficar de fora do conteúdo, dando lugar a listas e resumos de livros ou dicas de como escrever um artigo. E se a sua aluna ideal é apaixonada por um tipo específico de música, além de trazer trechos e curiosidades sobre artistas, você pode aprofundar o papo sobre as raízes históricas do estilo.


Eu mesma, como formadora de professores para a Educação Linguística crítica e decolonial voltada para as necessidades do aprendiz brasileiro, costumo postar no Instagram e no LinkedIn o seguinte: reflexões sobre acontecimentos sociais sob uma perspectiva decolonial, o papel das línguas na sociedade atual, trechos de música que contestam o imperialismo do Norte Global ou o senso comum de modo geral, e, bem de vez em quando, conteúdo LGBT e de religiosidade contra-hegemônica.


Tudo isso deve parecer atraente ou neutro para o público que quero acolher na Escola Além da Língua, e incômodo para quem eu não quero.


Já as fotos de pessoas queridas, os filmes e séries que vejo, o trabalho voluntário que faço... são itens que não aparecem, pois não conversam com a marca que estou construindo.


Entende, prof? Não é sobre certo e errado, não é sobre expor-se em excesso ou deixar de ser você. É sobre mostrar um recorte verdadeiro de si para construir uma marca pessoal. Não é tão difícil =)



Se você sabe o que está fazendo, vá sem medo
Se você sabe o que está fazendo, vá sem medo

5. Só se posiciona quem tem conteúdo


Sim, prof... esse é o pulo do gato.


Escolher o público-alvo, definir o que contar sobre a sua vida, expulsar sutilmente quem você não quer atender: tudo isso só funciona se você realmente garante que o seu trabalho é diferente de tudo que o seu aluno já viu antes.


Não basta exibir "personalidade forte" reverberando valores que vão contra o senso comum. Não basta direcionar o seu conteúdo aprofundado para os desafios do público ideal, e o conteúdo mais raso para os gostos e hobbies desse público...


se a sua aula for igual a qualquer outra.


Um posicionamento bem estruturado atrai gente curiosa, e pode até te trazer alguns alunos, sim - mas não garante o brilho nos olhos deles ao conhecer o seu trabalho.


E você quer ser reconhecida como professora, e não como influenciadora, certo?


É por isso que eu critico tanto o marketing disfarçado de Educação: ele te ensina a aparentar, mas não a ser. E foi por isso que eu te entreguei aqui tudo que você precisa saber para começar a se posicionar como professora particular nas redes sociais: porque não tenho a menor intenção de te cobrar por algo que se resume à aparência.


Ser uma professora capaz de ensinar além do que todo mundo já faz, Além da Língua, é o que faz a diferença no seu posicionamento. Porque, por trás do público bem definido e de uma imagem bem construída, é preciso haver uma professora realmente capaz de transformar a trajetória de aprendizagem do aluno.


É por isso que a gente só aprofunda conceitos como construção de perfil e linha de conteúdo dentro da Formação Além da Língua: lá dentro, o cuidado com a aparência e a divulgação do seu trabalho só vem depois dos módulos de teoria e prática de construção de aula.


Primeiro, você aprende de que maneira tudo vira aula: desde os tradicionais livros didáticos importados, passando por qualquer texto, vídeo ou áudio em outra língua - inclusive produzido por não-nativos! - até conteúdo recreativo, até mesmo em português.


Depois, você aprimora suas estratégias de ensino para garantir que todos os seus alunos desenvolvam a habilidade de falar espontaneamente. Sem travas, sem medos, desde a primeira aula.


E então, prof... então o seu trabalho será exatamente o que o seu aluno sempre buscou. Toque aqui e veja como. O seu aluno conta com você.

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