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"Material autêntico": mitos X possibilidades

  • Foto do escritor: marina.grilli.s
    marina.grilli.s
  • 23 de set. de 2024
  • 2 min de leitura

Atualizado: há 2 dias

Quem busca aprender uma nova língua se vê dentro de uma verdadeira lavagem cerebral, com a falsa ideia de que o seu conhecimento só tem valor quando envolve a comunicação com um falante nativo.


Melhor dizendo: essa ideia já está enraizada no público brasileiro antes mesmo que se tente começar a aprender qualquer coisa.


O caso é que o uso de materiais "autênticos", isto é, não criados especificamente para o ensino-aprendizagem de língua, é mais uma das falácias supostamente necessárias para que o aluno se torne capaz de compreender "os outros".


"Os outros", quem, né? Essa é uma pergunta que pouca gente se faz. Mas deveria.


Veja: é verdade que o conteúdo dos livros didáticos importados pode acabar sendo simplificados em excesso. Cheio de frases pobres que reforçam tópicos de gramática ou vocabulário, com pouca preocupação em explorar camadas e nuances da língua.


Mas vamos combinar que não é esse o motivo pelo qual costumam ser criticados, né? A tendência a desprezar o livro didático para santificar o tal material autêntico é bastante representativa de três problemas crônicos:


  • o endeusamento das variedades linguísticas dos países hegemônicos;

  • a eterna postura de jogar no lixo tudo que veio antes, e continuar buscando cegamente uma solução milagrosa e ideal;

  • a normalização do trabalho precarizado e não-remunerado da professora que passa horas procurando material internet afora.


Mas, sim, o problema tem solução. Na Escola Além da Língua, a única do Brasil voltada para a formação de professores que ensinam adultos, nós trabalhamos sistematicamente em dois pontos para sanar esse problema.


Primeiro: é plenamente possível combinar o uso de um livro didático como base a recursos midiáticos variados, autênticos e não autênticos.


Porque não ter livro dificulta muito que você tenha uma base. É não aproveitar o conhecimento de quem veio antes. É não se beneficiar do trabalho de quem foi contratado para sistematizar esse conhecimento – e, mais do que isso, é negar ao aluno a oportunidade de ter contato com visões de mundo estrangeiras, por mais que elas devam ser criticadas.


Livro didático: tem que saber usar
Livro didático: tem que saber usar

A outra solução passa por entendermos que "autêntico" não precisa ser sinônimo de "nativo": vamos colocar nossos alunos para criar conteúdo em texto escrito, áudio e até mesmo vídeo uns para os outros.


Porque o real problema do ensino de línguas, em um país colonizado como o nosso, é achar que língua é sinônimo de comunicação com nativos e só.


Dá até pra parafrasear aquele meme:


🤡
🤡

É por isso que, na Escola Além da Língua, a gente defende que professores e alunos gravem áudios sobre temas específicos, para serem usados como material didático. Porque é exatamente essa multiplicidade de gentes e falares que o aluno precisa ser capaz de entender. E porque "autêntico" não deveria ser sinônimo de "limitado".


A gente trabalha com estratégias de ensino da compreensão auditiva e da fala que podem até partir de livros didáticos importados, mas vão muito Além. Inserem nuances da realidade brasileira, estimulam a curiosidade sobre línguas variadas, e criam desafios divertidos de fala espontânea.


Se você não quer mais passar pelo processo de escolher o melhor livro didático, só para depois gastar ainda mais tempo adaptando-o às necessidades dos seus alunos, conheça uma alternativa mais leve e eficaz.

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