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Fora e dentro: equilíbrio


As passagens de estação são datas muito especiais para mim. Bruxa que sou, celebro as estações do ano porque enxergo na passagem do tempo o valor de viver. E viver não é algo que se faz no passado nem no futuro, mas no Presente.


O equilíbrio perfeito entre dia e noite podem servir para nos lembrar que a vida é uma dança constante entre lazer e trabalho, entre movimento e pausa, entre estar só e estar bem acompanhada. Frio e calor, sol e chuva, inspirar e expirar.


Em dias como hoje, penso que ensinar também é sobre equilíbrio. Muito se tem falado sobre “disciplina positiva”, por exemplo, e há quem esqueça que não basta ser positiva: há de ser também disciplina. Criar as condições ideais para que a aprendizagem floresça, construir conhecimento de forma coletiva, e durante tudo que isso envolve, manter explícitas as bases, os objetivos. As regras.


Também penso no quão poderosa é a intenção decolonial quando voltamos a nos apropriar dos ciclos enquanto parte de quem somos. Falo de ciclos como uma interpretação da vida oposta ao certo ou errado que permeia tanta coisa, desnecessariamente.


Nossas e nossos ancestrais sabiam que certas forças podem ser conduzidas, mas jamais controladas. Que a intenção e o propósito são o caminho para a realização, mas que ninguém vive só sobre esta Terra, e o imprevisível está sempre à espreita.


E nós, que trabalhamos com língua? Sabemos que ela é uma força dinâmica que nasce no contato entre seres humanos e não precisa nem pode ser domada pela rigidez? Sabemos que permitir, validar, possibilitar e incentivar a expressão humana em todas as suas nuances é a serventia da língua, e deve ser nosso primeiro e único propósito enquanto profissionais da Educação Linguística?


Sabemos encontrar o equilíbrio entre treinar gramática até que o uso das estruturas se torne automático, e criar tempo para a expressão livre e genuína daquilo que se quer dizer, sem se prender às convenções da norma?


Ou será que estamos nos perdendo dos ciclos? Encaixotando palavras e frases em blocos de cimento europeu, esmagando dizeres com o peso das páginas de exercícios que repetem frases totalmente desconectadas de quem somos?

Estamos ensinando língua para agradar quem está do lado de fora, sem pensar em quem fala a partir de dentro?


Que o outono nos traga sabedoria para encontrar o equilíbrio entre as múltiplas facetas da nossa profissão, pois é isso que vai nos gerar um relacionamento genuíno com os nossos alunos.




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